Arte de Receber
Recebemos no Studio TH na última semana, Bia C. Prado, expert em hospitalidade, habilidade social, treinamento e organização, para um bate-papo cercado de chá e pão de queijo, sobre A Arte de Receber.
Mais do que ensinar regras à mesa, Bia traz um olhar mais profundo sobre etiqueta, como uma extensão da educação, da atenção ao outro e da forma como escolhemos conviver em sociedade.
Entre conversas sobre comportamento, organização da mesa e a maneira correta de setorizar cada elemento do servir, a pauta central do nosso encontro foi história e bons costumes na prática.
O Galateo, escrito por Giovanni della Casa no século XVI, ajudou a construir a ideia de comportamento social no Ocidente. Mais do que um manual de etiqueta, o livro defendia que boas maneiras existem para tornar a convivência mais harmoniosa e respeitosa. A atenção aos gestos, à conversa e ao comportamento à mesa surgia como uma forma de consideração pelo outro.
Um dos momentos que mais nos envolveu durante a aula foi descobrir as histórias que atravessam séculos e ajudaram a moldar muitos dos hábitos que hoje parecem naturais à mesa. De Catarina de Médici à Princesa Theodora, a nossa conversa percorreu a história, onde muitos dos costumes que carregamos hoje nasceram de transformações sociais e tradições familiares construídas ao longo do tempo.
Entre as curiosidades, uma das nossas preferidas foi a história do primeiro garfo de que se tem registro: uma peça de ouro com apenas dois dentes, utilizada pela princesa bizantina Theodora para degustar doces cristalizados.
Até o cardápio, hoje tão presente em nosso cotidiano, nasceu como um cuidado e ato de hospitalidade, pensado por Leonardo da Vinci, que buscava apresentar aos convidados os sabores de seus banquetes de forma mais cuidadosa e intencional.
Em Versailles, Maria Antonieta transformou pequenos encontros em o que hoje conhecemos de patisserie, deu alma e arte ao que muitos chamavam
Maquiavel já entendia que a maneira como uma pessoa se apresenta, conduz conversas e se comporta socialmente faz parte da construção de presença, respeito e influência.
A etiqueta, nesse sentido era a capacidade de compreender o outro, ocupar espaços com inteligência social e criar relações através da atenção aos detalhes.
Em sua próxima visita à TH, convidamos a Bia a se aprofundar na hospitalidade através da arte de receber hóspedes e da delicadeza de saber ser hóspede. Para quem deseja continuar explorando esse universo, reunimos algumas das leiturasindicadas pela Bia.
Livros de comportamento, cultura, gastronomia, história e a arte de viver, que contextualizam que a arte de receber pode ser uma forma de construir relações.
Carson I. A. Ritchie
Kenneth James
Gilles Lipovetsky e Elyette Roux
Tratado sobre a Vida Elegante
Jaime Pinsky
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