In Minor Keys
A 60a Bienal de Veneza, que aconteceu em 2024, entrou para a história ao ter Adriano Pedrosa, do MASP como curador. Foi a primeira vez que a principal exposição de arte do mundo teve um curador latino-americano à frente da mostra, trazendo espaço para artistas indígenas, dissidentes e comunidades historicamente marginalizadas dentro da arte contemporânea.
Este ano, entre os dias 9 de maio e 22 de novembro acontece a 61a Bienal de Veneza @labiennale, dessa vez assinada pela curadora Koyo Kouoh, que faleceu durante a produção da Bienal, deixando o projeto nas mãos de sua equipe.
Koyo Kouoh curadora, arquiteta e diretora executiva do Zeitz Museum of Contemporary Art Africa, foi a primeira mulher africana nessa posição.
Ao longo de sua trajetória, Koyo defendeu a ideia de que curadores africanos deveriam atuar como "agentes culturais" e "trabalhadores do espírito", enxergando a arte como algo inseparável da memória, da identidade e da vida em sociedade.
Existia um cuidado muito profundo na forma como ela pensava exposições, artistas e narrativas culturais, sempre trazendo humanidade, escuta e pertencimento para o centro da conversa.
Com o tema In Minor Keys, que parte de uma referência musical: nas escalas menores, a emoção costuma aparecer de forma mais sutil, introspectiva e sensível, a mostra busca uma estética de escuta, resistência e cura coletiva, valorizando narrativas mais sutis, emocionais e humanas em contraste com o ritmo acelerado e o excesso visual do presente.
Ocupando os espaços do Giardini e do Arsenale, a exposição convida o público a desacelerar e atravessar temas como memória, espiritualidade, pertencimento e imaginação através de experiências mais imersivas e sensoriais.
Comigo Ninguém Pode
O projeto brasileiro para o Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza deste ano recebeu o título "Comigo ninguém pode", tomando a planta popular brasileira como metáfora central da exposição.
Entre proteção, toxicidade e resistência, a mostra constrói uma narrativa que atravessa espiritualidade, violência histórica e sobrevivência cultural através das obras de Rosana Paulino e Adriana Varejão.
A curadoria de Diane Lima também marca um momento importante para a presença brasileira em Veneza. Pela primeira vez, o Pavilhão do Brasil será inteiramente conduzido por mulheres, reunindo duas das artistas mais relevantes da arte contemporânea brasileira sob o olhar da primeira mulher negra a assumir a curadoria do pavilhão.
As primeiras imagens divulgadas do espaço já mostram um pavilhão construído de forma muito sensorial, aproximando natureza, espiritualidade e memória em uma experiência mais imersiva.
A proposta parece se afastar de leituras óbvias sobre brasilidade para apresentar um Brasil mais simbólico, denso e emocional dentro da Bienal.
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