The Silence Edit
Existe uma ausência de estímulos que se tornou quase impossível de acessar.
Vivemos em um estado contínuo de ocupação sensorial: música de fundo, notificações, vídeos cada vez mais curtos, conversas simultâneas entre a tela e o espaço.
Mesmo quando estamos sozinhos, muitas vezes estamos acompanhados de uma leitura, podcast, ou música de fundo, e dificilmente encontramos o silêncio.
Para muitos de nós no silêncio, nada acontece. Mas ao contrário disso, tão reparador quanto o sono, quando não há estímulo externo, o cérebro ativa o default mode network, um estado em que ele começa a reorganizar memórias e integrar experiências.
É nesse espaço que as nossas ideias se conectam, decisões amadurecem e narrativas internas acontecem.
Com um hiperfoco em comportamento, e no tema silêncio, ouvi em um podcast recente que duas horas de silêncio por dia estimularam o crescimento de novas células no hipocampo, região ligada à memória, aprendizado e emoção.
E mais do que isso: essas células não apenas surgiam, elas se integravam ao cérebro como neurônios funcionais.
Ou seja, o silêncio não apenas acalma, ele reconstrói e repara.
Vivemos uma contra-mão do tema silêncio, em um mundo de excesso de estímulos.
Ambientes com ruído constante geram aumento de cortisol, o hormônio do estresse, e a uma maior carga cognitiva, dificultando foco, memória e a nossa tomada de decisão.
O que nos leva a um cansaço, cumulativo.
Curiosamente, o silêncio também tem efeito físico imediato, dois minutos de silêncio podem reduzir a frequência cardíaca e a pressão arterial, um pensamento que nos leva a lembrar da importância das práticas de meditação que tanto amamos, e buscamos cultivar.
O desafio para alguns momentos da nossa vida, é que no silêncio não há distração suficiente para nos proteger de nós mesmos.
Sem ruído, há espaço e convite para a nossa mente,
ela se expande. Sem estímulo, a percepção se aprofunda.
Em um mundo e sociedade que nos incentiva a preencher todos os espaços como forma de produtividade, a escolha pelo silêncio se torna cada dia mais desafiadora.
O nosso convite, longe de um lugar de modismo, e convida-lo como forma restauração, e re-equilíbrio.
Pause...
Permanência
Arte do que é feito à mão, é único e não pode ser replicado, materiais que absorvem o som e texturas que são um convite exploratório.
Não como estética, Denise Braune, uma das artistas da nossa nova curadoria de design, desenvolve uma prática que investiga o vazio como espaço de habitar, transitando entre cerâmica, arquitetura e memória.
Sua obra explora a relação entre forma, espaço e presença, entendendo a forma como permanência.
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