Design Ancestral
conosco são femininas e brasileiras.
Um processo ancestral, 100% sustentável, símbolo de resistência. Cada peça carrega um pedaço da história daquela que a fez.
Elas nos inspiram, nos orgulham, nos motivam.
Colher, socar, pilar, peneirar, separar, umedecer, modelar, alisar, secar, aguardar, pintar, queimar. Mais do que tamanho, peso ou volume, é o tempo a principal unidade de medida no processo artesanal.
É um grande desafio medir quanto tempo mãos e mentes de uma artesã levam para a concepção de uma peça.
O encontro com o projeto MÃOS nos trouxe de volta a um lugar essencial. O projeto que faz parte da nossa curadoria de design brasileiro sustentável, para esta Bienal de Arquitetura, nasce como uma iniciativa de pesquisa, impacto e cocriação, com mulheres artesãs brasileiras, conectando saberes tradicionais a novos modelos de produção e mercado.
Mais do que um projeto, é uma rede viva que articula memória, território e autonomia feminina.
Existe um cuidado no processo, e um caminho coletivo.
Os impactos das (cri)ações ressoam de diferentes formas, tocam várias camadas. E buscam beneficiar não só as artesãs envolvidas no projeto, mas suas famílias, comunidade e território.
Dilatar não apenas seus bolsos, mas principalmente sua autonomia e sua autoestima.
Diferente de uma lógica extrativa, o MÃOS opera a partir de escuta.
Antes de qualquer desenho, existe um mapeamento cultural, social e ambiental das comunidades envolvidas. Não se trata de adaptar o artesanato ao mercado, mas de preservar sua identidade, garantindo autoria e autonomia a quem cria.
A produção acontece dentro de princípios que hoje se tornaram urgentes, mas que ali existem na prática: comércio justo, economia circular, design funcional e impacto social estruturado.
O resultado vai além de uma peça. O encontro com o Projeto MÃOS é reconhecer que existe uma nova forma de construir valor, e ela pode começar antes mesmo do produto existir.
Por meio de mapeamento, registro e relacionamento em rede, eo projeto estuda o território ou tipologia artesanal com base nos principais atributos (culturais, sociais, ambientais, econômicos e políticos) que regem a identidade e história daquela comunidade.
Com olhar atento e escuta ativa, diagnosticam a estratégias de salvaguarda destes saberes e fazeres.
É a chamada metodologia:
TECNOLOGIA SOCIAL DA MEMÓRIA.
Uma das funções sociais atribuída às mulheres em contexto rural é a de buscar água para suas famílias. Somada a uma extensa jornada de trabalho, que contempla casa, filhos, roça, artesanato.
É quase unânime a vontade das artesãs de viverem exclusivamente de seu ofício. E quando ele melhora sua qualidade de vida, percebemos que estamos no caminho certo.
Água é um direito básico e queremos colaborar para a melhoria do seu acesso em Campo Buriti.
Há mais de 10 anos, o MÃOS, desenvolve projetos que unem tradição, pesquisa e impacto positivo, criando peças que carregam contexto cultural, memória e pertencimento, um reflexo do que buscamos dar voz nesta edição para Bienal de Arquitetura Brasileira.
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